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Cotações do frete recuam



No mês de agosto, o mercado de fretes rodoviários observou desaceleração em comparação com o mês anterior. Os dados são do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e referem-se aos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e passa a incluir, neste mês, Distrito Federal e Paraná.


No Mato Grosso, principal estado produtor de grãos, o movimento de baixa é natural para esse momento, tendo em vista a finalização da colheita de milho. Quando comparado ao ano anterior, os preços ainda continuam em um patamar elevado aos registrados no ano anterior. Em âmbito estadual, os preços de fretes estão mais elevados em 2021. Isso se deve ao atraso da colheita no 1º semestre, o que ocasionou concorrência com outros estados no transporte de cargas, resultando em um fluxo logístico intenso nos meses subsequentes para atendimento dos compromissos dos portos.


No 2º semestre os maiores preços pagos pelo milho no mercado interno têm feito com que o fluxo logístico se desenvolva em torno deste mercado, em detrimento do mercado exportador. A logística de mercado interno se caracteriza por distâncias mais longas, descarga normalmente agendada e mais demorada e consequente menor giro da frota, o que proporciona certo enxugamento da oferta de transporte e sustenta os preços, evitando quedas que poderiam ser maiores. Destaca-se no mês de agosto que, no que se refere às rotas envolvendo os portos, Santos e Paranaguá registraram os maiores declínios, devido ao fato de essas cotações terem mantido seu suporte em julho dada a intensa movimento de fertilizantes, enquanto que os demais portos, a exemplo do Arco Norte, mantiveram registro de queda conforme mês de julho, devido à baixa movimentação.


No Mato Grosso do Sul o mês de agosto apresentou ritmo mais lento no fluxo de transporte de grãos com destino às unidades e terminais de exportação. O menor volume de produtos disponibilizados para transporte para os principais destinos de exportação causou algumas reduções de preços nas rotas pesquisadas, principalmente nas rotas ligadas aos portos do Paraná e São Paulo.


Em linhas gerais, observa-se no mercado de frete do estado do MS aumento significativo de empresas transportadoras, por vezes de pequeno porte, que concorrem pela prestação de serviços de transporte. Isso reflete na redução dos preços aos clientes que demandam por este serviço.


Em Goiás o preço médio para as diferentes origens e destinos, no mês de agosto, manteve-se no mesmo patamar do mês passado. Era um resultado já esperado, conforme pesquisa realizada com o mercado de transporte. A exemplo do mês passado, o transporte de grãos foi, de maneira geral, fraco, conforme relataram as transportadoras. Identificou-se algum movimento de milho destinado ao mercado interno e externo e pouco volume de soja destinado à exportação. Transportadores da região relataram um período atípico, principalmente em comparação com o ano passado, quando a movimentação de milho destinado ao mercado interno e externo esteve bastante intensa. A quebra da 2ª safra de milho, cuja colheita chega ao fim, com menor oferta do grão, refletiu-se no setor de transporte para as origens pesquisadas.


No Distrito Federal houve coleta de dados nos pontos de concentração de empresas transportadoras durante os dois último meses. Houve um aumento nos preços dos serviços de transporte para a maioria das rotas, com variações positivas de até 9%, exceto para o destino de Paranaguá/PR. Segundo a Conab o aumento dos valores de serviços de frete se deve, principalmente, ao maior volume escoado no mês de agosto, ocasionando aumento nos preços de frete se comparados à julho. Um ponto também mencionado pelas empresas de transporte é que os sucessivos aumentos de combustível também estão impactando no mercado de transporte


No Paraná pesquisou-se rotas para o transporte de grãos, milho e soja, e, também, para o transporte de feijão, que tem uma característica diferenciada no transporte. Comparando com o mês de julho/2021, houve uma queda nos preços de frete para algumas rotas, devido à pouco produto sendo transportado, e em outras não houve informação do mercado sobre preço, principalmente porque no trecho não há transporte sendo realizado.


A baixa nos preços pode ser reflexo da quebra de safra do milho, o que ocasionou pouco transporte de produto. O Estado do Paraná sofreu com geadas e condições climáticas adversas, o que acabou refletindo na quantidade de produto na região. Para a soja, houve informação de que o preço do grão está alto, reduzindo a comercialização do produto na região, o que acaba interferindo no preço de frete. Como grande produtor de feijão, também houve coleta de preços de frete na região de Ponta Grossa e Pato Branco com destino ao Rio de Janeiro/RJ e São Paulo/SP. Comparativamente ao mês de julho/2021, onde os preços se mostravam maiores, houve decréscimo nos preços para os destinos elencados.


Fonte: Agrolink