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Embrapa quer produzir diesel verde a partir de carcaça de aves


Foi iniciada em outubro uma pesquisa para produzir um diesel verde obtido a partir da hidrogenação do bio-óleo de resíduos ósseos de aves. A pesquisa é uma parceria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Agroenergia com a Haka Bioprocessos e visa chegar numa composição próxima à do diesel petróleo, a partir da agregação de valor a um tipo de matéria-prima que usualmente não é utilizada na produção de diesel renovável.


“Utilizaremos o processo de hidrogenação para gerar hidrocarbonetos parafínicos com propriedades similares ao diesel de fonte fóssil e que se diferenciam do biodiesel, que é uma mistura de ésteres de ácidos graxos, por apresentarem maior estabilidade e maior poder calorífico”, explica a pesquisadora da Embrapa e também líder da pesquisa, Itânia Soares.


Este processo de hidrogenação é semelhante ao que a empresa já faz com o óleo de palma, conhecido pela sua elevada acidez. A caracterização final do produto incluirá a análise de composição química e das suas características físico-químicas, tais como poder calorífico, densidade e viscosidade.


Definido como um combustível renovável para motores a combustão de ciclo diesel produzido a partir de matérias-primas renováveis, o diesel verde ainda não faz parte da matriz energética brasileira. A proposta de regulamentação do diesel renovável intenta à expansão do uso de biocombustíveis na matriz energética brasileira com vistas à segurança energética, previsibilidade para a participação competitiva dos diversos biocombustíveis no mercado nacional e mitigação das emissões dos gases geradores do efeito estufa.


Com a regulamentação para a comercialização em território nacional, o produto deverá ser adicionado ao diesel de origem fóssil, que já possui obrigatoriamente 12% do biodiesel em sua composição. “Com a produção de diesel verde a partir de ossos, estaremos inserindo a cadeia de proteína animal como importante agente na transição energética para uma economia de baixo carbono, oferencendo combustíveis e insumos renováveis para a agricultura e promovendo a economia circular para a descarbonização das suas atividades”, afirma o fundador e CEO da Haka Bioprocessos, Cyro Calixto.


“Esse projeto será um legado de longo prazo para o agronegócio brasileiro. Nossa expectativa é também levar essa tecnologia para os principais produtores de proteína animal como Europa e EUA, colocando essa solução na pauta de exportações nacionais, consolidando a vocação brasileira para a inovação tecnológica no campo”, continua Calixto.

Por ser um combustível de melhor qualidade, menos poluente e mais eficiente para os veículos, o diesel verde já é bastante utilizado em vários países. Na Europa, o biodiesel é permitido no teor máximo de 7% e nos Estados Unidos o limite é de 5%.


Fonte: Canal Rural

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