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Estradas de Minas Gerais registram menos roubos e mais prisões



Há três anos, Minas Gerais registrava 595 ocorrências de roubo a cargas por ano nas rodovias federais, uma média de 1,6 casos por dia. Mas de 2018 para cá, o perigo diminuiu nas estradas, com 306 assaltos em 2019 e 206 no ano passado, uma queda de 65,3% no período, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em paralelo, houve um aumento expressivo no número de pessoas detidas por esse tipo de crime. Em 2018, foram nove prisões, contra 32 em 2020 – um crescimento de 255,5%. Só neste ano, até junho, 38 suspeitos foram parar na cadeia, uma média de seis autuações por mês.


O porta-voz da PRF, Aristides Amaral Júnior, diz que os dados, mesmo que discrepantes, se correlacionam. O número de roubos de cargas caiu devido a desarticulação de quadrilhas especializadas, segundo ele. Para que ocorresse esse fenômeno, a polícia diz que investiu em tecnologia, o que potencializou o serviço de inteligência e a realização de operações em pontos estratégicos das rodovias. A PRF não informou, entretanto, quanto foi investido nem quantas ações foram realizadas, “por se tratarem de informações estratégicas e sigilosas”.


“O investimento é perceptível pelos números. Desenvolvemos nosso setor de inteligência, com o uso de equipamentos eletrônicos portáteis que auxiliam na fiscalização e no monitoramento em tempo real. Conseguimos mapear quais são os melhores horários e lugares que devem receber maior atenção com operações repressivas e informativas. Desse modo, intensificamos a fiscalização e evitamos que as quadrilhas atuem. Os grupos táticos fazem trabalhos preventivos e repressivos e, assim, conseguem prender os criminosos”, explicou Júnior.


Segurança privada Na outra ponta está o serviço de segurança privada, que cresce não só em Minas, mas em todo o território nacional. As empresas de transporte têm investido de 12% a 16% de seus faturamentos mensais em sistemas de monitoramento, escolta e seguros contra roubo, conforme levantamento feito pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg).


O sistema de segurança instalado no caminhão do motorista Ivan de Faria, 58, colaborou para que a carga de chapas de aço que ele transportava, avaliada na época em R$ 140 mil, fosse recuperada após um assalto. Em maio de 2018, ele foi surpreendido por um grupo de criminosos enquanto dirigia pela rodovia Fernão Dias, nas proximidades de Itatiaiuçu, na região metropolitana de BH.


Na ocasião, ele teve o caminhão e a carga roubadas. Entretanto, poucos kms depois, o veículo foi abandonado pelos ladrões que perceberam que o carregamento era rastreado. “Quando o caminhão saiu da rota, logo a empresa que monitora o veículo desligou o caminhão. A PRF foi acionada e imediatamente e começaram as buscas aos criminosos”, detalhou o caminhoneiro. Ranking nacional O Sudeste do Brasil apresenta o maior índice de roubo de cargas do país, com 81,33%. Entre os Estados que compõem a região, Minas Gerais é o que menos sofre com a modalidade criminosa, aparecendo em terceiro lugar no ranking, com 4,32%. São Paulo está em primeiro, com 41,8% dos roubos, seguido do Rio de Janeiro, com 35,21%. O Espírito Santo não apareceu na estimativa, feita pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística).


De acordo com a PRF, a pandemia do coronavírus não colaborou para a redução no número de cargas roubadas em Minas Gerais. “A pandemia trouxe a redução no fluxo de veículos de passeio de março a setembro 2020, mas já foi normalizado. Para os veículos de carga, não houve queda no fluxo no Estado”, explicou o porta-voz da PRF, Aristides Amaral Júnior.


Fonte: O Tempo