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Pandemia leva Volks a suspender produção no Brasil por 12 dias

Empresa, que tem 15 mil empregados em quatro fábricas, só retoma trabalho no próximo dia 5, depois do feriado de Páscoa; na mesma linha, outras montadoras afirmam que avaliam a possibilidade de fechamento temporário de suas unidades


Fabricantes de veículos começam novamente a fechar as fábricas para evitar contaminações da covid-19 entre seus funcionários, a exemplo do que fizeram há um ano, quando várias delas ficaram paradas por mais de dois meses. A Volkswagen anunciou que vai suspender a produção em suas quatro fábricas por 12 dias. Outras montadoras avaliam a possibilidade de fechamento.

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba disse que a fabricante de caminhões e ônibus Volvo também suspenderá a produção na próxima semana, mas a empresa não confirmou.

As quatro fábricas da Volkswagen – em São Bernardo do Campo, Taubaté e São Carlos, em São Paulo, e São José dos Pinhais, no Paraná – terão a produção suspensa na quarta-feira. O retorno deve ocorrer no dia 5, após o feriado da Páscoa. O grupo emprega 15 mil funcionários, mas o pessoal administrativo vai trabalhar de forma remota.

A montadora não informou números de funcionários contaminados. Disse que a medida foi tomada em conjunto com os sindicatos de metalúrgicos das quatro cidades onde atua.

Segundo a Volkswagen, “com o agravamento do número de casos da pandemia e o aumento da taxa de ocupação dos leitos de UTI nos Estados, a empresa adota esta medida a fim de preservar a saúde de seus empregados e familiares”.

Mercedes-Benz e Toyota informaram que o tema está em discussão com os sindicatos e que vão seguir as diretrizes de autoridades locais. Hyundai e Renault disseram estar atentas ao avanço da covid, mas ainda não tomaram decisões.

No caso da General Motors, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, Aparecido Ignácio da Silva, disse que encaminhou carta à direção da empresa na quinta-feira solicitando a concessão de licença remunerada aos funcionários de 24 de março a 4 de abril.

Segundo ele, a empresa se dispôs a adotar a medida mas, ao levar o caso à Anfavea (associação das montadoras) para que a parada ocorresse em todas as empresas, não houve consenso. A fábrica do grupo em Gravataí (RS) já está parada e a de São José dos Campos (SP) opera parcialmente por causa da falta de componentes para a produção, situação que deve se prorrogar por dois meses ou mais.

A Anfavea informou que “a decisão está a cargo de cada montadora, sempre em avaliação da situação sanitária de cada região do País, e em diálogo com os respectivos sindicatos”. A entidade vem se reunindo desde o início da semana com dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que defende a necessidade urgente de paralisação das fábricas devido ao avanço da pandemia. Só na região do ABC, segundo o sindicato, mais de 5 mil pessoas morreram após contraírem a covid-19.

Compra de vacinas

Em nova reunião ocorrida nesta sexta-feira, 19, o presidente do sindicato, Wagner Santana, confirmou que não houve acordo para paralisação imediata de todas as empresas. Ele disse que continuará em contato com as demais montadoras da região – Mercedes-Benz, Toyota e Scania – reivindicando a paralisação das atividades. O sindicato também pediu às montadoras que adquiram vacinas e insumos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

A Anfavea disse que aderiu ao projeto “Unidos Pela Vacina”, que tem como objetivo vacinar todos os brasileiros até setembro, por meio de medidas de facilitação logística e de comunicação entre o setor privado, sociedade civil e setor público, com doações de produtos e serviços.

As montadoras já vêm enfrentando dificuldades desde o início do ano por causa da falta de componentes, especialmente semicondutores, para a produção. No ano passado, a produção de veículos caiu 32% ante 2019 e a expectativa era de recuperação neste ano.


Fonte: NTC&Logística